Sobre o ministério

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O Papel das Mães

Creio que as mulheres foram criadas para gerar. Deus nos fez de uma maneira maravilhosa, perfeita, e nos proveu com o incrível poder de trazer ao mundo novas vidas. Quando fomos formadas à imagem e semelhança do Criador, também recebemos dEle o poder de dar luz à outras pessoas. Porém, a nossa tarefa não termina após o parto. Depois que pegamos os nossos bebês no colo, a caminhada está apenas começando. É quando recebemos outra missão incrível: formar um ser humano.

Confesso que falhei neste papel durante algum tempo. Me casei muito jovem, aos 16 anos, sem ter muita ideia de como seria a vida de uma “mulher casada”. Meu marido tinha 24 anos e precisou de muita paciência para lidar com uma esposa ainda adolescente. Para você ter uma ideia, no nosso primeiro natal juntos eu pedi um vídeo game de presente! Ele me deu, mas também estabeleceu um horário para que eu jogasse. Aos poucos fomos nos ajustando, aprendendo e crescendo juntos. O início da nossa vida a dois coincidiu também com a nossa mudança para os Estados Unidos, país onde nasci. Eu nem tinha terminado o ensino médio e já precisava cuidar de uma casa, então acabei abandonando a escola para procurar emprego.

Os nosso primeiros anos não foram fáceis, mas Deus nos abençoou. Comecei a trabalhar em um banco e meu marido iniciou o próprio negócio. Com o tempo estudei administração e me capacitei para atuar na aérea que eu queria. Enquanto eu ia ganhando espaço no disputado mercado financeiro de Nova Iorque, engravidei do meu primeiro filho, o Nathan. Amei o meu primogênito desde a primeira vez que o carreguei, mas assim que acabou a licença maternidade, fui engolida pelas minhas atividades. Foram 12 anos desse jeito. Chegou ao ponto do Nathan não ter mais afinidade comigo, apenas com o pai. A única referência que ele tinha era o Miguel, e sem perceber abri mão do papel que era meu. Por causa da minha ausência, meu marido acabou assumindo as tarefas que deveriam ser minhas.

Eu ficava cerca de 12 horas fora de casa todos os dias. Morávamos em Long Island e eu trabalhava em Manhattan. Diariamente me levantava as seis da manhã, passava duas horas no trânsito, e só retornava quando já era noite. Quando encontrava a minha família eu estava acabada, exausta, sem energia. Sim, eu tinha um filho e um marido, mas minha vida não era fértil. Não havia vida na minha casa. Os nossos relacionamentos não tinham profundidade e assim como uma planta que não é regada, minha família estava secando. Os laços que nos uniam definharam, como uma folha sem raiz.

Quando me dei conta do que eu estava deixando para trás, que tinha perdido uma fase importante da vida do meu filho, percebi que estava tudo errado. Meu casamento também não ia bem. Enquanto abri mão do meu papel como mãe e esposa, minha família se tornou infértil. A vida acabou. Me dei conta de que não bastava dar luz, trocar fralda, manter a geladeira cheia e colocar a criança para dormir. Após o nascimento, precisamos continuar gerando vida dentro de casa. Precisamos regar os relacionamentos na simplicidade do cotidiano. A vida não é apenas um coração pulsando.

Perceber que eu precisava mudar não foi fácil, mas não havia outro caminho. Foi dolorido. Porém, quando finalmente acordei, descobri o que realmente valia a pena. Lutei para resgatar meu casamento e reassumir o meu espaço de esposa e de mãe. Começou a batalha para reconquistar meu filho. Fui me reinserindo na vida dele. Larguei o meu trabalho, para simplesmente estar perto, participando do dia a dia do Nathan. Decidi ver meu filho crescer.

Deus é o Criador que concede a vida, mas o tipo de pessoa que será formada depende da mãe. É claro que os pais têm um papel importantíssimo nesta etapa. Eles devem estar presentes, transmitindo bons exemplos, aconselhando, corrigindo, mas existem ensinamentos que cabem a mulher. É no dia a dia, desde quando a criança nasce, passando pela tenra idade, até a morte. Nunca deixaremos de ser mães, nem eles de serem filhos.

Nathan sempre foi um menino muito carinhoso e sei que ele sentia a minha falta, mesmo não falando nada e sendo muito reservado. Eu busquei abrir o canal de diálogo, dedicando tempo a ele. Trouxe vida de novo ao meu lar. Realinhei as minhas prioridades e foquei nas pessoas que Deus me entregou para cuidar. Descobri que uma casa onde a mulher é ausente fica estéril. Com essa compreensão meu casamento foi restaurado e passei a gerar vida novamente.

A mulher e endometriose

O que a endometriose tem a ver com isso? Bem, ela é conhecida como a doença da mulher moderna. Alguns especialistas afirmam que ela é mais frequente naquelas que vivem sob pressão. Especialmente em quem trabalha no mercado financeiro.

A endometriose, que a cada dia é mais comum entre mulheres em idade reprodutiva, traz infertilidade. Ela acontece quando o endométrio (tecido que fica dentro do útero e se solta durante a menstruação), é encontrado fora da cavidade uterina. A dor é enorme, e muitas sofrem com as cólicas e com a dificuldade, ou impossibilidade de engravidar. Não é nada fácil. É curioso pensar que essa doença é recente. Não existem muitos registros dela nos períodos anteriores ao movimento feminista.

Bem, eu não sabia, mas eu tinha endometriose. Engravidei do Nathan assim, pela misericórdia de Deus, e depois de ter entendido melhor o meu papel como mãe e ter resgatado o meu casamento, passei a sonhar com outra gestação. Foram muitos anos orando, clamando e pedindo a Deus por mais um filho. Passou uma década até eu engravidar do Caleb. Creio que ele é puramente resposta de oração.

Em um dos exames de pré-natal a médica percebeu que havia uma massa crescendo dentro de mim, mas ela não soube identificar o que era. Passei toda a minha gestação sem saber o que era aquilo. Até que na hora do parto sofri uma complicação gravíssima. Descobriram fibroses internas do primeiro parto, e na correria para evitar uma hemorragia, o médico não diagnosticou a endometriose. Cinco meses depois, após muita dor, ele descobriu e precisei operar. Foi quando descobri que as minhas duas gestações foram milagres de Deus nas nossas vidas.

A infertilidade

Creio que a infertilidade é um plano maligno de Satanás para privar a mulher do propósito de Deus. Enquanto fisicamente o inimigo nos ataca para que não possamos formar um ser humano em nosso ventre, ele também investe em nossas vidas para nos afastar dos nossos lares, trazendo morte sobre nossos relacionamentos. A falta de equilíbrio nos faz estéreis. Somos férteis quando geramos, ainda que tenhamos feito a escolha de nunca ter filhos. Uma casa em que uma mulher fica muito tempo fora, não tem vida. Vida dentro da casa é um bolo no fogão, é uma cama arrumada, uma geladeira cheia, é o riso solto, o ar acolhedor, é a sensação de que existe alguém alimentando o ambiente. Alguém que zela por aquele lugar.

Não estou defendendo que a mulher fique o tempo todo em casa e não lute por realização profissional. A mulher pode trabalhar fora sim! Após reencontrar o equilíbrio eu voltei para o mercado e hoje sou empresária. Ao lado do meu marido dedico boa parte do dia ao nosso negócio, mas nunca mais abandonei o meu lar.

Deus nos orienta a agir com sabedoria. No livro de II Timóteo, capítulo 1, versículo 7, está escrito:

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio”.

Esta é a chave. Precisamos administrar o horário de estar em casa, de cuidar dos filhos, de participar da educação, de ajudar no para casa. Houve um momento para mim que foi muito difícil conciliar tantas tarefas, mas busquei ao Senhor. Pedi a Ele que eu fosse fértil gerando vida no meu lar. Busquei nEle a capacitação sobrenatural. Dei espaço para Jesus agir, e ele me curou.

Certa vez fui orar e vi que eu estava muito atribulada. O dia tinha acabado e eu me dei conta de que tinha feito um monte de coisas, mas nada foi produtivo. Então comecei a clamar por sabedoria. O capítulo 8 do livro de Provérbios fala sobre isso. Quando comecei a ler o que estava escrito ali, comecei a clamar a Deus nesse sentido.

Aprendi que quando você tem equilíbrio nos diversos papéis peculiares que precisamos desempenhar, quando aprendemos a administrar o nosso tempo e a família, conseguimos adquirir riquezas. E não existe riqueza maior do que uma casa estruturada, com um casal que se ama, com filhos felizes e um ambiente de paz. Essa é a minha coroa aqui na terra. Este é o galardão que o Senhor me entregou.

Por isso, te digo: se você quer gerar vida, quer ser curada de toda e qualquer infertilidade, clame pela ajuda do Alto! Busque essa sabedoria de Deus, e permita que Ele venha ao seu socorro.

 

Por Eiricka Braga