Educar nossos filhos para serem éticos: um esforço necessário!

Por Thaise Michels

A ética é a ciência da moral e esta, por sua vez, é a arte de viver bem. E viver bem exige experiência e técnica, conhecimentos práticos e teóricos. A moral necessita ser vivenciada. É preciso se policiar para praticar o bem, ter senso de justiça, respeitar e ajudar o próximo. Esses bons hábitos devem ser estimulados e precisam ser parte integrante do processo educativo.

O homem é livre por natureza. Ele possui controle sobre seus instintos e, consequentemente, não é orientado por eles, diferentemente do que ocorre com os demais animais. Por essa mesma razão a responsabilidade é maior, porque ela participa do processo construtivo, ou seja, do processo de criação e desenvolvimento de sua consciência e suas atitudes. Como o homem é um ser racionalmente superior aos demais animais, consegue absorver as informações de que necessita e, com elas, organizar pensamentos, desenvolver raciocínios, elaborar oportunidades e interesses. Há no homem um diferencial: além das necessidades intrínsecas e primárias, ele consegue perceber as necessidades do seu entorno, gerando para ele um dever de cuidado e respeito. A inteligência, atributo inerente ao homem, possui uma carga de responsabilidade.

Na Bíblia, em Romanos 12.10, Deus nos ensina: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. Em um outro trecho, ainda nos fala que: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens (Romanos 12.17).

A educação moral é essencial para saber o que proporciona uma satisfação plena das necessidades humanas. Assim poderemos colocar em prática aquilo que captamos como valores e, consequentemente, formularemos os princípios éticos norteadores de nossas condutas, desenvolvendo, assim, um comportamento ético pessoal. Viver bem requer uma capacidade de organizar as emoções, ser altruísta e perceber uma necessidade que transcende a sua própria necessidade. Desenvolver a moral requer ter ouvidos atentos para os clamores da sociedade e mãos estendidas para ajudar o próximo. “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. (Gálatas, 5.14)

Os hábitos coletivos são reflexos dos comportamentos individuais. O somatório dos comportamentos individuas é que constitui a “cultura” de uma determinada região. O seu comportamento, o dos seus filhos e amigos formam a nossa sociedade. Aí que entra o papel dos pais na construção de um mundo melhor: educando os filhos para serem éticos, amáveis, respeitosos, educados. A bondade contagia. Quem faz o bem, recebe o bem.

A cultura, por sua vez, também é transmitida de geração em geração. Depois de formada, ela é passada para as gerações vindouras. Por isso que transformar tradições requer um esforço diário e persistente. Não podemos desistir de introduzir o respeito ao próximo em nossos costumes. Essa introdução é o melhor caminho para alcançar muitas e muitas gerações.

Deus nos alerta: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos, 12.2)

O desenvolvimento da sociedade deve ter como norte a dignidade da pessoa humana, fazendo com que os fins pretendidos pela sociedade e suas organizações almejem sempre o bem-estar. Para isso, os bens do espírito devem ganhar relevância, devendo os utilitários assumir um segundo plano. A processo educacional não pode se abster de formar o caráter do ser humano. Não basta apenas o conhecimento técnico, a sociedade também deve ser instruída para viver bem e desenvolver virtudes, como a solidariedade, a tolerância, a amabilidade, o respeito e o senso de justiça

Jorge Lacerda, importante estudioso da ética e da moral, afirma que duas qualidades são imprescindíveis para a educação: a justiça e a liberdade. O que poderia ser traduzido como educar no respeito e na responsabilidade. A nossa sociedade é um reflexo de todas as outras que nos antecederam. Ela não é feita de forma descontínua. O processo cultural é um conjunto de acertos e erros e, por isso, a alteração requer um esforço metódico e permanente. A dignidade da pessoa humana deve ser introduzida na cultura. Esse é meio mais propício para ela impactar gerações. Mas essa inserção requer um esforço de políticas governamentais, bem como dos pais no processo educacional. Só assim será possível auferir o bem comum/coletivo.

A inserção da dignidade da pessoa humana como um bem culturalmente protegido é o mais precioso legado que podemos deixar para a história, o que nos dizeres românticos de Jorge Lacerda, se revela como a “luminosa mensagem da cultura”. Luminosa porque é capaz de trazer esperanças para a geração contemporânea e as vindouras da existência de uma sociedade mais benevolente, mais generosa, mais complacente e amorosa.

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